Banho de chuva ( literata das vicissitudes das chances )

T3

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Lá sobre a linha do horizonte surgia elas, negras, carregadas, transformadoras, aquela claridão e beleza de dia se desfigurava ante as nuvens. Guardavam o belo, acho que enciumavam de sua magnitude. Delas se saia os sons mais terríveis, tenebrosos, vis trovões ardis  a me assombrar. Sopravam os mais desnorteados ventos que assoviavam ao pé do ouvido da menina que recolhia suas roupas do varal. Todos abaixo delas se encontravam medrosos ou apressados, pois elas logo soltariam todas suas angústias e encharcariam até as mais bondosas almas e as mais floridas das flores.

Fez-se silêncio, era todo gris e atordoante o firmamento. O tempo gelava, parava diante de suas promessas. Toda a alegria antes conhecida já não pairava sobre os lugares, tênues gotas começavam a envolver a terra refém da sua luxúria e gula por todo pedaço que adentrava.

Em seguida a torrente desaba afogando todo santo e pecador abaixo de suas vísceras, as ditas nuvens agora já podem jorrar toda sua voluptuosa insanidade de desejo por desague. Ruas, casas, plantações, campo, cidade, praia… tudo imerso a suas vontades, reféns submissos, áridos antes mas agora sôfregos, sufocados em todas suas entranhas.

E assim se formou alguns ganhos e algumas perdas, ela destrói, ela abastece, ela apedreja e as vezes só lambisca, ela não cede as tuas vontades apenas as de si, e ela vai doravante sempre pra mais longe, pra onde a gente não sabe e mesmo assim é muito bom tomar um banho de chuva.

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