#PartiuFérias

    AkzFn0SJuAV413Ai_1vTw1-W9OtrzP5h_Chwin6_PWThTudo começou em 2010, naquela época eu era seminarista e estudante de Filosofia na FLS em Brusque – SC. No final daquele ano saí do seminário e consequentemente larguei a filosofia. Voltei para casa dos meus pais dois anos depois de ter dela saído. Logo manifestei o desejo de voltar a estudar, de continuar na filosofia e um dia ser professor, falava sobre isso todo dia, até que em um almoço qualquer meus pais me disseram algo do tipo:

    – Di, tu tem que arranjar um emprego, trabalhar e ter teu dinheiro, nós não temos como te pagar uma faculdade, tu sabe disso.  Disse minha mãe. E logo emendou meu pai: – É piá, tem que parar com essas manias de grandeza, todo mundo trabalha, tu também tem que trabalhar!

   Na época achei áspero da parte deles, fiquei chateado, afinal, eu não estava me escondendo do trabalho, só queria estudar e ter uma vida diferente da deles, não conseguia ver isso como um erro. No entanto, não via outra saída: deixei de lado a vontade de voltar para o mundo acadêmico e fui trabalhar. No segundo semestre de 2011 comecei como porteiro em um motel na minha cidade natal, eu era o moço que falava com voz sedutora naquele interfone e que depois recolhia o dinheiro. Ali fiz amizades e amadureci, cresci como dizem. No final daquele ano já tinha feito minha CNH AB, comprado uma moto e constatado que meus pais estavam certos: esse negócio de trabalhar dá certo!

    Mas não era o suficiente, era como que se eu estivesse vivendo a vida pela metade, sentia que podia mais, que conquistas materiais eram necessárias, mas não suficientes, então reacendi a vontade de voltar a estudar. Agora alertado pelas verdades ditas pelos meus pais, comecei a planejar minha volta à universidade: guardei dinheiro, fui até a escola onde fiz o ensino básico e pedi livros velhos de ensino médio, também busquei auxílio nesses tutoriais na internet e comecei a estudar por conta. Em 2013, quando amigos meus passaram no vestibular da UFSM, me contaram das políticas de assistência estudantil (nunca havia ouvido falar em casa do estudante, benefício socioeconômico, e nem acreditava poder passar no vestibular em uma federal), então me inscrevi no processo de seleção para 2014 e dobrei a dedicação com os livros e as vídeo-aulas. Passei e decidi ir para o desconhecido. Saí do meu trabalho, troquei minha moto com meu pai por um notebook – tinha planejado fazer isso desde que a comprei. Eu estava eufórico, finalmente sentia algo de novo acontecendo na minha vida, minha alegria era explicita. Arrumei tudo e vim para Santa Maria no começo de 2014, chegando aqui, era sim tudo como me falaram, tinha casa do estudante, tinha RU, tinha BSE! Comecei naquele ano o primeiro semestre e hoje encerro com êxito o terceiro.

    Aqui não tenho o conforto da casa dos pais, a comida da mãe, a parceria das tias, meus sobrinh@s e man@s por perto, nem meu salário no bolso, agora não compro tudo que quero, nem vou a todos os lugares que gostaria, estudando e trabalhando tenho tido uma vida com menor poder aquisitivo, MAS com maior satisfação, completude e felicidade, hoje vejo sentido nas coisas que faço e sinto orgulho por concluir com boas notas mais um semestre, de ver que estou vivendo hoje o meu impossível de ontem. Gratidão à tod@s que de bom coração me dão força. #Partiu 😀

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